Mil Contos … cultura

Sem seguir nenhuma linha de tempo, vou descrever uns fatos curiosos e interessantes que me despertaram para conhecer um pouco mais da cultura do nosso esporte.

Para conhecer culturas, a melhor maneira é viajar. E foi numa dessas viagens que conheci o pico dos sonhos de 10 entre 10 bodyboarders, o Hawaii.

Foi em 2000 que pude estar na ilha de Oahu e vivenciar momentos que antes só estavam na minha mente, através das imagens de fotos de revistas e vídeos, de rodas de bate-papos com amigos como Xandinho, Urdan e Marcello Pedro, que contavam suas aventuras e vivências no arquipélago.

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Chegou a minha vez e posso agora contar eu mesmo um pouco do que vivi, primando pelo tema “Cultura Bodyboard”.

A primeira coisa foi pisar nas areias de Ehukai ao chegar do aeroporto e ver de frente, com meus próprios olhos, a mítica onda de Pipeline quebrando com 8 pés majestosos, um terral soprando fraquinho e as cores do céu havaiano dando seu espetáculo.

Logo avistei uma carinha muito conhecida vindo em minha direção e me chamando pelo nome. Era Neymara Carvalho, me dando as boas vindas e meu primeiro ALOHA! Ela me disse para olhar pra trás pra ver quem estava chegando, e com sua bicicleta e capa de prancha nas costas, o rei Mike Stewart em carne e osso! Quanta energia ao mesmo tempo!

Nos saudamos e me sentei com minha namorada na época, Gabriela Hofmann para apreciar aquele fim de tarde mágico, meu primeiro pôr do sol havaiano!

Foi aí que fui me dando conta da enorme quantidade de bodyboarders tanto na areia, quanto em ação dentro d’água e notei que éramos maioria entre os outros esportistas, tanto surfistas, como longboarders que integravam o ambiente. Ou seja, nossa cultura é dominante na Meca do surf.

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Nos dias seguintes, fui bombardeado por cultura, visitando as surfshops em Haleiwa, vendo a quantidade e diversidade de marcas e modelos de pranchas que no Brasil não tínhamos acesso, nadadeiras, acessórios e muitos equipamentos diferentes, que me chamaram a atenção, além da exposição que davam ao bodyboard dentro das lojas, que apresentavam uma área especial voltada para o BOOGIEBOARD, como chamam ali.

Tivemos a oportunidade de certo dia, irmos com um amigo brasileiro, residente na ilha e um dos melhores laminadores do Hawaii, o carioca Murilão, que de tão conhecido, se passa facilmente por local. Levou-nos no West Side, onde na praia de Makaha, notamos uma estrutura que mais parecia um campeonato, com bastante gente, movimentação de diversas pranchas e música.

Nos acercamos e o xerife da praia, mister Bird Mahelona, nos saudou e disse que aquele era o funeral de um bodyboarder local, chamado Piko, que morreu estrangulado por seu leash dias atrás…

Ele nos recebeu como convidados especiais, todos bodyboarders brasileiros, fomos eu, Gabi, Franthelly Lamartine e Lucas Queiroz e eles simplesmente abriram o pico para que nós pudéssemos surfar em homenagem a Piko.

Era um dia daqueles clássicos de filme e a onda parecia aquelas que desenhávamos nos cadernos de escola, perfeitas, dois metros havaianos e um canal que deixava o caminho bem mais fácil para nós.

No inside havia uma zona de “backwash” que era bem divertido, pois nos lançava para o alto como uma rampa de decolagem.

Entramos e fomos saudando as pessoas pelo caminho ao outside, com o famoso “ALOHA!” e vendo pranchas dos mais diferentes tipos, mas o que mais me chamou atenção foi os BIG bodyboards, tipo uns de 50 polegadas, para que os gordões e grandalhões nativos pudessem pegar suas ondas… Outros usam o mesmo para irem a duas pessoas, muito divertido!

A cultura bodyboard ali é bem forte e integrada ao surf como nunca antes havia visto. O bodyboard é tido como surf e o surf é tomado como um verbo, tipo: – Eu surfo de bodyboard! Logo, sou surfista também.

Que banho cultural! Despedimos-nos caminhando pela estrutura, várias barracas e tendas como um corredor, com uma foto enorme, envolta por “leys”, que são as coroas de flores típicas havainas, e velas, com toda a família e amigos de Piko a cantarem com seus “ukuleles”, um instrumento que parece nosso cavaquinho, e cantam com umas vozes muito bonitas, por sinal.

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Ali fizemos novos amigos bodyboarders, de várias idades e trocamos algumas palavras na língua nativa, onde descobri o nome Paipo, como bodyboard rústico de madeira, que usavam os nativos havaianos há muitos séculos atrás, como objeto de diversão e adoração á natureza.
Por todo o caminho de volta, na caçamba da caminhonete de Murilão, víamos por toda a orla muitos bodyboarders, famílias passando com seus filhos e seus bodyboards, galeras de bodyboarders jovens ouvindo seu hip-hop no estacionamento de seu pico, como que mantendo a ordem de “locais”, senhores e senhoras idosos praticando bodyboard também era uma cena comum e que no Brasil não se vê muito.

São sinais de cultura, a cultura bodyboard no Hawaii é muito forte e nos dá sinais de que pertence a sua história desde os primórdios.

Sem falar que o bodyboard moderno foi inventado ali por Tom Morey e desenvolvido por nomes havaianos como Daniel Kaimi, Pat Caldwell, Ben Severson, Hauoli Reeves, Seamus Mercado, JP Patterson e o maior de todos até os dias de hoje, Mike Stewart.

ALOHA e desfrute da nossa cultura pelo mundo afora, então VIAJEM!!!

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