Por Victor Kruschewsky
Saiba tudo da vida dessa grande estrela do cenário mundial
O Portal Rip Star bateu um papo exclusivo com o big rider José Otávio, esse atleta de fala mansa e muito bodyboarding de alta performance para mostrar ao mundo.
Aos 15 anos, José Otávio despontava para o cenário do Bodyboarding quando foi registrado num campeonato da ABBI – Associação dos Bodyboarders de Ipanema – pelas lentes do fotógrafo Fred Rozário executando um belo backflip.
A foto foi parar na capa da revista Style e também saiu na Fluir Bodyboard, encarte que acampanhava a revista Fluir. A partir daí, tudo começou a dar certo na vida desse mineiro radicado nas ondas pesadas de Itacoatiara, Niteró-RJ. Em 1997, veio o título Brasileiro na categoria profissional e as performances memoráveis em vídeos de bodyboarding.
O mercado dos vídeos se fortalecia e produções de vídeos como Vision 1 e 2, Havaí 98, Mutação Quê, Experiência Quê fizeram parte da vida de muitos fanáticos pela pranchinha voadora. Anos depois, outras produções como o Enigma e o Eligth também mostraram o potencial do Brasil no esporte.
De uns tempos para cá, Otávio sumiu dos cenários das competições e se focou em fazer imagens em condições de ondas grandes. A redação da Rip Star resolveu bater um papo exclusivo com um dos melhores bodyboarders do mundo em condições extremas.
VK: Olá Otávio, beleza? Diz uma coisa que todo mundo quer saber! Por onde andou José Otávio esses últimos anos?
JO: Eu só não estava competindo, mas sempre treinando, viajei pelo Chile, México, Tahiti, só não estava mais participando de todos os campeonatos.
VK: Você chegou a ter uma lesão na coluna? Isso foi um dos motivos que você te afastou mais? Como foi o tratamento?
JO: Não chegou a ser uma lesão, eu tenho Lordose e Escoliose, são dois desvios, mas eu comecei e ter dores e fiquei me cuidando por um ano, agora estou melhor. Eu fiz fisioterapia e natação.
VK: Gostaríamos que você comentasse 3 ondas suas de alto impacto: Uma é o 720 aéreo, o primeiro registrado no mundo.. Quantas vezes você já acertou? Quanto tempo até acertar?
JO: Olha, acertar só foi aquele, depois cheguei a mandar outros, até mais perfeitos, só que batia na base da onda e não aguenteva o impacto. Eu não demorei a acertar, pois tinha tentado poucas vezes, foi até rápido para acertar aquele, só que depois eu fiquei mais focado em melhorar as outras manobras.
VK :A outra é aquele aéreo de sequência que tem na revista Style que eles fazem a linha da envergadura do aéreo, duas fotos… você voltou ali? A outra é aquele invertido aéreo de junção para direita no Mutação Quê! … doeu ? o que se passa em sua cabeça em momentos extremos como aquele?
JO: Alí eu não voltei, eu embolei todo naquela espuma, mas ficou muito irada a foto. No invertido por incrível que pareça nem doeu nada, aquela prancha era bem macia e absorveu todo o impacto. Na hora a gente só pensa em tentar a manobra, nem percebe muito se está rápido demais, alto demais, não quer nem saber de nada, só mandar.
VK: E agora você está decolando de invert to backflip? Como é isso?
JO: S só tentei umas vezes, porque tenho mandando uns aéreos jogando muito a perna pro alto, e por consequência, o giro do invertido vai saindo naturalmente. Mas nem tento muito isso não.
VK: Qual as manobras mais casca-grossa que você já mandou?
JO: Acho que essas que você citou são bem marcantes e difíceis de esquecer, mas tem uns drops que em onda grande e buraco, que marca também. Mas manobra mesmo são muitas que ficam guardadas.
VK: Nos vídeos, percebe-se que seu aéreo é diferenciado, pois você não joga a prancha e sim “empena” sua coluna com o corpo junto e faz um arco? Qual a receita para ter essa estabilidade nas manobras?
JO: Nem sei como tenho essa estabilidade, acho que fui me acostumando a mandar o aéreo assim e agora sai naturalmente. Mas em ondas menores não tem tempo pra envergar assim, tem que sair uma certa altura pra poder ficar assim.
VK: Fala um pouco mais sobre o projeto da QUÊ LIFE STYLE, de Gustavo Camarão, um dos primeiros a filmar o esporte no país em condições extremas e os vídeos que ajudaram e muito a mostrar o que você pode fazer nas ondas.
JO: Acho que foi espetacular esse projeto, poder mostrar um lado do esporte que pouco se via em competições aqui no Brasil. Muita gente de fora do país ficou e fica até hoje impressionado com as ondas dos filmes, muitos nem acreditavam que tinhámos ondas desse tamanho no Brasil.
VK: Por que você não se foca nos circuitos Mundial e Brasileiro?
JO: Acho complicado competir em ondas ruins pro esporte e que eu não gosto de surfar. Segundo, ter grana de alguém te apoiando para não ter muitas chances, não vale muito a pena. Ano que vem vou competir as etapas nas melhores ondas e a perna Européia e o Brasil para completar, mas meu foco é no Havaí, Chile e Canárias.
VK: Você acha que a conduta da IBA e CBRASB está sendo correta na promoção do esporte para o munddo? O que acha que está bom e o que acha que deve melhorar?
JO: Acho que eles estão fazendo um Circuito Mundial muito bom, pois tem eventos em ondas boas, com espera, e eventos em ondas mais incertas, com público. Isso coloca o esporte em diversas condições. Só creio que um calendário antecipado e preciso ajudaria muitos atletas em sua organização.
VK: Em relação aos atletas… Você acha que a Associação dos Bodyboarders Profissionais pode ser uma boa saída para uma reestruturação do esporte, assim como foi no surf com a criação da ASP – Associação dos Surfistas Profissionais?
JO: Pode ser uma saída sim, desde que os atletas estejam dispostos a criá-la.
VK: Você é um dos responsáveis pelo alto nível do BB brasileiro. Em quem você se espelha para obter grandes performances? Que são os melhores do mundo e do Brasil em sua opinião?
JO: Eu me espelhei muito em caras como o Mike, Guilherme e o Paulo Esteves quando começei. Hoje em dia eu tento pegar um pouco de cada um, mas é difícil ter uma pessoa em quem eu me espelhe somente. Tem muita gente com alto nível, caras como o Hardy, King, Ben, Pierre, Amaury sempre me fazem olhar as coisas de outra forma. Acho difícil falar em melhores, tem muita gente boa.
VK: O que você está planejamento para o público junto com a galera de Itacoá? Vem filme aí?
JO: Bom, filme novo é algo que todo mundo quer, mas fica em segredo ainda se vai rolar ou não.
VK: Você tem alguma preparação específica para o Bodyboarding?
JO: Hoje eu só corro e malho, mas já nadei também.
VK: Quem são seus patrocinadores?
JO: Respect Bodyboards e QUE! Lifestyle
VK: O que é Bodyboarding para você?
JO: Representa muito na minha vida, muito do que eu vivi de bom foi graças ao fato de ter começado no esporte.
VK: Deixa um recado aos seus fãs que acreditam em seu potencial.
JO: Que continuem acreditando em mim e obrigado por apoiarem, incentivarem e motivarem meus treinos.
VK: E aos empresários…
JO: Que olhem o esporte de uma forma melhor, um esporte vitorioso no nosso país, onde somos vistos como potência no mundo, e com grande potencial para divulgação.
Ficha Técnica
Nome: José Otavio Pires de Carvalho
Idade: 30 anos
Principais títulos: Campeão Brasileiro, Bi-Campeão Carioca
Patrocinadores: Respect Bodyboards, QUE! Lifestyle
Melhor manobra: tubo
Música: Bob Marley
Filme: Um dia de fúria
Hobby: Ver filmes
Mensagem para galera: Corram atrás de seus sonhos!
























