Primeira vez no Tahiti

Paraíso Foto: Jorge Baggio

Paraíso Foto: Jorge Baggio

Um pequeno rio, no canto esquerdo de uma praia. Para atravessa-lo apenas uma ponte para pedestres. Do outro lado um vilarejo e muitos coqueiros. Habitando o lugar, samoas. A maioria bem grande, pele escura e estrutura forte além de muito afetuosos, pessoas com um coração como eu jamais havia visto. Ao fundo do cenário, montanhas verdes, formando um imenso vale. Na frente um mar muito azul, com recifes no fundo e um largo canal entre eles, bem na frente do rio e da ponte.Esse lugar reunia tudo o que eu havia conhecido de mais belo na vida. A forca das ondas havaianas, uma água com temperatura caribenha, coqueiros numa abundância baiana, bananeiras; cachoeiras. Uma cozinha local com muito peixe; carne, galinha com molhos de espinafre, leite de coco e outro ingredientes que ainda não descobri. Uma pequena trilha em frente às casas, cercada de muito verde, árvores, coqueiros e gramados na beira do mar completavam o cenário.No primeiro dia, um fraco vento lateral, a as ondas quebrando no recife lá fora, cerca de 1 km de remada da praia. Eu estava sozinho e ansioso para conhecer aquelas ondas, peguei minha prancha, e sai remando, na beira da praia muitas crianças e pessoas mais velhas locais se divertiam numa perfeita ondinha para a direita, quebrando na saída do rio. Um ambiente muito feliz. Na casa onde eu estava hospedado o pessoal terminava de assistir mais um jogo da copa do mundo.Durante a remada pude observar o forte movimento do mar e a força com que as ondas subiam nos recifes. Fui chegando perto das ondas, a praia estava distante e ali de dentro as montanhas pareciam mais imponentes com uma visão que me fazia sentir no paraíso.Uma série subiu, três ondas com cerca de 8 pés quebraram uma atrás da outra com sprays. Tubos quadrados como eu jamais havia visto. E eu sozinho ali, algumas ondas entravam tortas e não rodavam na bancada, talvez pelo vento, talvez pela direção do swell.Logo à frente, o raso recife. No final a onda explodia sobre as corais com muita forca. Fui remando em direção ao que parecia ser o pico, e logo entrou uma onda. Dropei mas foi meio cheia. Voltei e esperei mais um pouco. Veio outra, botei pra baixo era maior. Botei pra dentro, mas o que eu temia aconteceu, ela fechou e fui arrastado para o recife. Atrás mais ondas grandes fizeram com que eu passase para o outro lado do recife, por cima das pedras expostas, para a calma lagoa. Tive que dar a volta, uns 20 min remando. Ao voltar pro pico, entrou a maior de todas, fazendo um braço pra dentro da bancada. Vi que era das boas, remei com força, muito adrenalizado, despenquei até a base, cavei e botei pra dentro. Foi quando senti uma sensação única na minha vida, foi como eu estivesse ali a mercê total do oceano e daquela onda extremamente forte.O barulho no lip caindo era mt alto, a onda lá na frente jogando, eu muito atrasado, foi quando um espumeiro bateu na minha prancha e começou a me levar por dentro daquele tubo, quando estava saindo mais uma placa, e o spray sai seco no canal. Remei de volta para casa, completamente extasiado. Fiquei um tempo ali no meio dos locais que surfavam a pequena onda na beira e depois fiquei assistindo um lindo pôr do sol.Eu chegava pela primeira vez na conhecida e temida onda de Teahupoo. Um lugar que na verdade me pareceu mais mágico que qualquer outro adjetivo possível.

About Jorge Baggio

Jorge Baggio traz contos, matérias e vídeos interativos sobre os esportes, ação e natureza contextualizados com a história da humanidade e as diferentes formas de arte e expressão.

Deixar um comentário

Adicione seu comentário abaixo, ou trackback a partir do seu prprio site. Você tambm pode subscrever a estes comentários via RSS.

Seu email é never compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados *